"Eu acredito no vento
mesmo quando não vejo
eu acredito no amor
mesmo quando não o sinto
e eu credito em Deus
mesmo quando
ele permanece calado"

Frase encontrada em parede de um campo de concentração nazista

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

      Ao sair da casa de Dan sentia meu coração pesar..uma sensação de desconforto no estômago acompanhado de um forte pavor me invadiam... Sempre soube que este momento chegaria..que um dia eu teria que deixar os braços protetotes de meus pais e padrinhos e seguir meu caminho como uma guerreira..uma captare, uma Angelin... esse sempre foi meu destino, minha sina, minha escolha..mas agora sentia medo..medo de falhar..e principalmente medo de envergonhar minha familia...
 Caminhava lentamente tentando conter minhas lágrimas e acima de tudo tentando manter a postura...        
Cheguei enfrente a porta e entrei..

     Ao deparar-me com a sala de estar de minha casa..a sensação familiar de conforto e segurança invadiu meu ser, eu crescera naquele lugar... aquele era meu paraiso, meu refúgio...onde eu sempre encontraria um lugar pra mim... fechei meus olhos, as recordações do passado eram nítidas..lembrava-me com clareza de fatos bobos, como quando minha mãe contara que eu teria um irmãozinho, cheia de medo que eu deprimisse. E como ficou espantada ao me ver pegar o telefone e ligar para Dan ...


                                   " Tio Dan agola eu ja tenho com quem bincar de caçar!"

          Em outra ocasião lembro claramente de meu 1º voo onde eu saira pela casa  perseguindo a pequena Katherine na época eu estava com 10 anos e ela com 2  que gritava desesperada...
                                              "Manheeeeeee...a Beth tá bincano de Bú!"

        Lembrei dos treinamentos disfarçados de acampamentos onde meu pai e minha mãe "brincavam" de nos deixar sozinhas e disfarçavam-se de monstros e vinham nos assustar.
            "Kath, vou contar até 3: no tres a gente corre. 1..., SOCORROOOOOOOO!!!! MANHEEE UM BIXO!!!!"

        Tantos momentos vividos...percebi tamabém como o tempo passara depressa, Eu ja estava partindo para minha 1ª caçada, Katherine estava treinando e em breve teria a sua..o medo invadiu-me novamente...o que eu faria de hoje em diante? Senti a dor em meu peito aumentar..como eu iria deixar meu lar..como iria suportar dias a fio longe de tudo o que havia construido?  Minha respiração começou a falhar..assim como meus batimentos cardíacos estavam mais acelerados que nunca..apoie-me na parede a beira da escada, depois sentei na mesma acomodando o punhal dado por Dan ao meu lado..sentei abraçando minhas pernas e recostando  minha testa em meus joelhos... a voz de meu pai ao meu lado quase me faz ter um enfarte..ele chegara furtivamente e tinha em suas mãos o punhal e avaliava a arma calmamente...



-Definitivamente,  Isabele tem um ótimo gosto. Arma muito boa..feita em prata..perfeita  para combates corpo-a-corpo e a longa distância principalmente com lupinos e alguns demônios...
    O fitei por alguns instantes... ele continuava avaliando a arma sem me olhar... e continuava a falar...
-Aposto nosso cachorro...que você esta indo caçar...
    Não pude deixar de rir..nós não tinhamos cachorros..mas o riso foi fraco e ele percebeu  franziu o cenho e disse com tom de preoculpação...
-Por que você não esta dando pulos de alegria..eu dei..sua mãe também...aposto que sua irmã também vai dar por que você tem que ser a única "do contra"...
Ele riu..mas ainda sim...disse:
                                                    -Você esta com medo não esta? 
 
  Maneei a cabeça afirmativamente, a tristeza voltando a me sufocar...abaixei  meus olhos e disse:


                                                                     E se eu falhar?

      Tentei continuar a frase... mas minha voz estava embargada e a dor voltava..lacinante e cruel... Meu pai é sulficientemente perceptivo paar notar esse fato e disse acariciando meus cabelos...

- Se você caçar seu inimigo com vontade, amor a DEUS, e respeito por aquilo que você é..você não vai falhar...nunca... é norrmal você sentir-se assim..mas pense em uma coisa... Quantas pessoas você vai deixar de salvar..quantas pessoas vão padecer na mão de criaturas malignas se você cair..apoie-se em sua espada e em seu orgulho como Angelin e como Captare e destrua seu inimigo... e digo mais.. O seu medo pode decidir o seu destino..o seu medo pode destruir o futuro do seu laço... Todas as vezes que levantar sua espada levante-a com a experiência e a certeza de todos aqueles que vieram antes de você...você não luta sozinha..você luta com todos e com cada Angelin existente...
   Sorri...percebi que realmente aquela era a resposta...aquela era a certeza da qual precisava... eu tomei a adaga em minhas mãos e fiz uma prece...uma prece singela... mas ainda assim cheia de fé...
" Senhor Deus...no momento que me preparei para destruir meu inimigo preparei-me para ser destruida por ele...entrego em suas mãos minha alma e minha espada...que a sua luz me guie em todos os meus caminhos"
   Levantei-me e sorri... meu pai por sua vez abriu os braços, eu o abraçei...ficamos assim ate uma voz melodiosa chamando-nos....
-Será que vocês poderiam deixar esse momento fofinho de lado e ajudar-me com esses pacotes?
Minha mãe estava parada junto a porta, trazendo junto com Katherine cerca de 20 pacotes de compras..pareciam felizes e animadas. minha mãe fingia-se de raivosa e Katherine sorria convidando-me para guardar as compras junto com a mesma. Mas meu pai me impediu..e disse animadamente:
- Rafaele..nossa bebezinha esta cresendo..ja vai fazer sua 1ª caçada...
A expressão de surpresa no rosto dela não foi nem um um pouco convincente...mas entrei na brincadeira fingindo que não sabia que ela sabia... ela deu um grito de alegria, deixando cair os pacotes e correndo para me abraçar. Senti-me apertada por 3 pares de braços, afinal Kath também estava lá, como sempre esteve desde que vi seu lindo e rechonchudo rosto nunca mais me senti sozinha e enfim eu entendi...eu não tenho o direito de falhar...eu tenho que voltar para eles... Eu tenho sempre que encontrar o caminho de volta pra casa, mesmo que eu vá ao 9º ciclo do inferno eu tenho que retornar.

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